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  S.E.M.E.P.
Texto em 10 de Março de 2009 às 09h55
 
 

Educar com qualidade e sustentabilidade


* Eduardo Vianna Júnior



O Sindicato das Escolas Particulares da Baixada Santista (SEMEP/BS) empenha-se, no sentido de aperfeiçoar a cada dia a qualidade do ensino na região. Isso abrange tanto as instituições particulares, quanto às públicas, pois consideramos que a atuação em rede tem um potencial transformador.

O mundo e o Brasil mudaram. A educação e a família também. O ser humano tem passado por profundas transformações nos últimos tempos. Não podemos viver de saudosismo, lembrando de décadas passadas, quando a educação da escola pública era muito boa, porém, para poucos. E a escola particular, por sua vez, tinha na sua maioria o aspecto confessional.


Hoje em dia, com a “democratização” do Ensino ("escola para todos"), a educação no Brasil enfrenta o grande problema da falta de qualidade. E as escolas particulares da Educação Básica (Ensino Fundamental e Médio), na maioria, são as que preparam o aluno a ter um alicerce para enfrentar esse novo mundo.


O diferencial da escola particular está na parceria responsável entre a instituição de ensino e a família - a qual precisa ter pais que assumam junto com a escola o compromisso de manter sua sustentabilidade.


Aqui cabe a análise da inadimplência e suas conseqüências. Atualmente, o índice médio é de 12,85%. Qual o segmento tem margem líquida acima disso? Essa porcentagem leva aos balanços das escolas o risco de prejuízos, com o agravante das altíssimas taxas de juros e elevada carga tributária.

Diante desse quadro, nós, educadores (mantenedores, diretores, cordenadores e professores), devemos nos unir, por compreender a relevância de manter a educação em um patamar de excelência e é em sua defesa que nos dedicamos com constante afinco, mesmo nos momentos mais difíceis.


Estamos cientes de que as dificuldades financeiras atingem a todos. Porém, é fundamental fazer uma distinção entre o chamado "inadimplente social" e o "inadimplente oportunista". Cada um deles requer ações diferenciadas. Por isso, é essencial saber separar os perfis. O "Inadimplente social" é aquele pai ou mãe de aluno que está passando por um momento de dificuldade financeira ocasionada, por exemplo, em virtude da perda de emprego ou por algum problema de saúde que acometeu um dos entes da família.


Nesses casos, os mantenedores de instituições de ensino têm que ser compreensíveis e prudentes, dando oportunidade àquela família para que ela se restabeleça. Nessa hora, cada escola deve encontrar uma maneira mais adequada a suas possibilidades. Seja através de uma polítca de concessão de bolsa de estudos, ou por meio de uma ampliação de parcelamento das mensalidades. Não há regras. O fato é que devemos assumir nossa responsabilidade social em situações como estas.


Do lado oposto, encontra-se o “inadimplente oportunista”. Essa definição cabe unicamente às pessoas, que mal intencionadas, deixam de pagar a escola de forma proposital e premeditada. Esses indivíduos agem assim, porque sabem que a educação é um direito fundamental, respaldado pela legislação vigente. O que fazem, na verdade, é uma prática abusiva e irresponsável, na medida em que descumprem obrigações assumidas com a escola, desde o momento da matrícula. Esquivando-se de seus deveres, esses cidadãos prejudicam não só a instituição de ensino em que seus filhos estão inseridos, mas também enfraquecem o sistema educacional como um todo.


Essa realidade afeta também, mesmo que indiretamente, os outros pais que se sacrificam para honrar seus compromissos em dia (são a grande maioria). Pois, não é justo que pessoas de má-fé usufruam de benefícios arcados por terceiros e ainda saiam ilesos.


Por isso, devemos nos unir, a fim de combater esses atos de falta de responsabilidade. Precisamos buscar maneiras e ferramentas, sempre dentro da legalidade, que nos resguardem. Seja através de um cadastro de estudantes (conforme vem preconizando a Confederação Nacional dos Estabelecimentos de Ensino – CONFENEN), ou outras alternativas que considerarmos justas!


A escola particular, assim como 87,15% das famílias responsáveis e honestas, não podem ser vitimadas por situações que engessam os mantenedores e privilegiam os oportunistas - os quais não colocam a escola como parceiros da boa educação. Não queremos, ainda que indignados, continuar assistindo a indivíduos desonestos abusarem de nossa boa vontade e de nossas escolas!



* Eduardo Vianna Júnior é Presidente do Sindicato das Escolas Particulares da Baixada Santista (SEMEP/BS).

 
 
 
 
         
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